Tudo é Dança

 

Estava navegando e dei de cara com o Tudo é Dança, blog da Marcela Benvegnu, de Piracicaba. Vejam o que ela escreveu sobre Adeus, China!

À primeira vista, “Adeus, China — O Último Bailarino de Mao” (Editora Fundamento), de Li Cunxin, parece ser um livro cuja temática principal é a dança, e que tem como objetivo contar a saga do autor, um garoto que sai da pequena Qingdao, na China, para conquisar o mundo. Mas a verdade é que o texto vai muito além desta pequena — e bem pequena — impressão.
A publicação é um exemplo concreto de determinação, esforço, superação, dor e conquista, que é capaz de emocionar em suas poucas 400 páginas. Sim, porque quando se fecha a contracapa, se quer saber mais. Talvez esteja aí o brilhantismo da poética de Cunxin, que escreve de dentro da dança e consegue tocar qualquer leitor.
A narrativa tem ritmo próprio, bem mais veloz que uma série de piruetas — o ponto forte de Cunxin — e é toda permeada por lendas que costumam ser contadas pelos chineses. A principal delas, que inclusive permeia o livro e a vida do bailarino, é O Sapo no Poço. O texto conta a história de um sapinho que vivia em um poço fundo. Certa vez, outro sapo que vivia do lado de fora o convidou para brincar. O sapinho não pôde aceitar porque não conseguia sair dali, e sabia que seu pai já tinha tentado pular para fora do poço a vida toda. O resultado? O sapinho passou a vida inteira preso, tendo o mundo de fora apenas como um sonho.
Cunxin comprova que a lenda não é verdadeira. O menino, que aprendeu a idolatrar Mao, passou fome, dividiu o Kang (cama) com mais seis irmãos e só tinha roupas remendadas, não só saiu de sua realidade. Ele a transformou e se revelou um dos maiores nomes da dança mundial. Cunxin poderia ter escolhido qualquer profissão, mas a dança o escolheu. Ele optou por sair do poço.
Na publicação, o encontro com a realidade da China torna-se inevitável. A fome, os pés enfaixados das mulheres, o casamento combinado, os filhos, as comunas. A triste e dura vida de um povo, que ainda sofre com a Revolução Cultural que um dia tanto amou, é retratada em detalhes.
O único — único mesmo — porém fica por conta das imagens. O livro não traz nenhuma foto de Cunxin depois que ele se torna o ‘queridinho’ do Ocidente, o primeiro bailarino do Ballet de Houston, e o amigo de grandes estrelas do cinema mundial. Só na capa é possível vê-lo pequeno, aos 11 anos, quando foi um dos escolhidos para entrar na Academia de Dança de Pequim. A solução é imaginar suas conquistas e dançar com suas palavras. “Adeus, China — O Último Bailarino de Mao” é um livro para qualquer um reescrever sua própria história.

Está aí uma dica de leitura que agrada a todos.
Avise seus clientes!

Um beijo.