Entrevista com o autor de Babymouse

Nos dias 06 a 14 de Novembro de 2014, o autor Matthew Holm da coleção Babymouse vem ao Brasil!

matthew_holm_babymouseRecebemos algumas perguntas para o autor e então fizemos uma entrevista! Lembramos que as opiniões apresentadas nesse texto são do entrevistado e não refletem a opinião da editora. Confira abaixo:

 Lygia Netto – Brincando com Livros- De onde surgiu o interesse de fazer quadrinhos voltado especificamente para crianças?

Nós crescemos lendo quadrinhos, porém eu e minha irmã percebemos que não há mais tantos quadrinhos para crianças nos Estados Unidos hoje em dia; a maioria é bem sombria e séria, destinada para adultos. Então decidimos criar nossos próprios quadrinhos para crianças!

Danielle Casquet – Livros, A Janela da Imaginação - Qual foi a inspiração que você utilizou para criar a personagem? Se baseou em alguém conhecido?

A Babymouse é notavelmente parecida com a minha irmã, a Jenni! Ambas têm uma personalidade parecida e uma atitude de "Posso fazer o que quiser", além da paixão pela leitura.

Carol Rodrigues – Estante das Fadas - Qual foi a sensação ao ganhar o Gryphon Awards e o ALA Notable Book for Children em 2009 através do Babymouse: A Rainha do Mundo?

Ganhar esses prêmios foi muito gratificante. Quando nossos livros foram publicados no final de 2005, houve um grande suporte de bibliotecários e educadores, porque eles viram o quanto os livros estavam ajudando as crianças a criarem o gosto pela leitura. Então os prêmios, vindo desses profissionais, foram uma grande validação de que estávamos fazendo um bom trabalho.

Gisela Menicucci – Ler para Divertir - Como vocês fazem para entender o universo infantil do modo a criar livros que encantem a este público?

Não paro e me preocupo com "Será que as crianças vão achar graça?" quando estou trabalhando; simplesmente pergunto a mim mesmo: "Eu acho isso engraçado?" (Mas talvez isso apenas signifique que tenho um senso de humor infantil!)

  • Ao escrever as histórias vocês tem em mente divertir e distrair as crianças ou pretendem também passar a eles algum conceito moral e ético?

Nós não fazemos um plano para repassar mensagens morais e éticas, apenas queremos contar uma história boa. Mas acho que o fato é que a maioria das histórias boas têm uma base moral ou ética. 

Caroline Evans – Fantastic Books - Como surgiu a ideia de ser uma rata a protagonista?

Não, a verdadeira razão para a personagem principal ser uma rata é provavelmente porque, durante a nossa infância, minha irmã tinha uma casa de bonecas que, ao invés de ser habitada por bonecas normais, era repleta de umas bonequinhas em formato de rato que estavam vestidas como gente! Então Jenni pode ter sido inspirada subconscientemente por isso ao criar uma personagem principal que é uma rata.

  • A rata foi para as crianças não terem medo de ratos? Pois sabemos que a maioria das mães tem e passam isso aos filhos.

Rá! Eu não tinha pensado nesse motivo! Nos Estados Unidos, até já ouvimos alguns (poucos) pais reclamando que, porque escrevemos esses livros sobre personagens ratas fofinhas, estamos passando a ideia errada para as crianças, e que uma delas pode ver um rato por aí e querer pegá-lo no colo, pensando que é fofo (quando, na verdade, pode estar carregando alguma doença!). Mas acho que isso é improvável.

Jéssica Figueiredo – Hora da Leitura - O livro é lindo, os desenhos também, o fato de ele ser somente rosa e preto foi sua ideia? Se sim, porquê?

Originalmente íamos fazer o livro todo em preto e branco, mas daí a Jenni disse: "Todos os corações deveriam ser rosa." Quando comecei a colorir uma das primeiras cenas percebi que o livro teria muito mais rosa nele do que tinham antecipado. Isso virou um toque legal, implicando que o "mundo real" era chato em preto e branco e o mundo de fantasia da Babymouse era repleto de rosa choque.

Cida Oliveira – Moonlight Books - Quais são suas influências neste gênero da literatura?

Eu cresci lendo muitos quadrinhos. Era o mais novo de cinco irmãos, e herdei os livros de todo mundo, incluindo os quadrinhos. Algumas das minhas influência incluem Charles Schulz (MINDUIM), Jim Davis (GARFIELD), Berke Breathed (BLOOM COUNTY) e Bill Watterson (CALVIN & HAROLDO).

Adriana Macedo – Meu Passatempo Blá Blá Blá - Como foi para você o processo de criação da Babymouse?

Ela teve a ideia para Babymouse um dia (em 2001) enquanto estava na cozinha, e ela rabiscou um rascunho da personagem em um guardanapo e o deu para mim. Ela queria que fizéssemos um quadrinho para crianças – especialmente para garotas. Trabalhamos em uma pitch (uma história introdutória, com o texto e alguns rascunhos dos desenhos) e tentamos vendê-la para editoras – um processo que levou três anos. Finalmente, em 2004, a Random House decidiu que gostava da ideia e trabalhamos com um editor e um diretor de arte para aperfeiçoar o formato do livro e o visual de toda a série. Passei os dois anos seguintes desenhando os primeiros livros da série, e lançamos os livros 1 e 2 um dia depois do Natal em 2005.

  • Qual é o segredo de escrever para crianças? Existe alguma fórmula?

Apenas escreva uma história boa. Muitas pessoas que falam sobre escrever livros para crianças agem como se houvesse algo de errado com elas, como se elas precisassem ser consertadas. Apenas precisamos tratá-las com respeito e contar-lhes histórias boas, como faríamos com qualquer outro público.

  • Na sua opinião, como anda o mercado editorial no Mundo em geral, para o público infantil?

O mercado editorial hoje pode parecer um lugar complicado, especialmente com grandes livrarias desaparecendo devido ao aumento dos e-books e do monopólio quase total que a Amazon tem em vendas e distribuição. Há também a preocupação constante que séries de TV, filmes, video games, Youtube etc. tomam todo o tempo que deveria ser dedicado à leitura. Também percebo que, toda vez que visito uma escola, as crianças estão lendo mais do que nunca, e estão mais apaixonadas por livros e séries de livros do que já vi. Além disso, apesar de amarem seus smart phones tablets, elas têm um amor por segurar o livro impresso com as próprias mãos.

  • De que maneira você acha que as histórias em quadrinhos podem contribuir para a formação de jovens leitores?

Quadrinhos são uma ótima forma de aprender a ler! Ao combinar imagens e palavras, eles fornecem os leitores com dificuldade dicas sobre o significado das palavras. Muitas, muitas crianças já me contaram com orgulho que foram capazes de terminar um livro da Babymouse de 100 páginas, isso quando nunca tinham sido capazes de terminar de ler um livro inteiro do começo ao fim. 

Conheça os livros da coleção Babymouse aqui.

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