De onde vêm os bilionários?

Por MICHAEL CORKERY

The New York Times, 19/02/2017

No início do século 20, um jovem jornalista chamado Napoleon Hill embarcou na missão de sua vida.

Hill começou a estudar centenas das pessoas mais bem-sucedidas dos Estados Unidos e escrever um livro sobre como elas se tornaram tão realizadas.

Ele passou duas décadas analisando as histórias de vida, estratégias e filosofias pessoais de empreendedores e donos de indústria como Henry Ford, William Wrigley e John D. Rockefeller.

O livro resultante, Quem pensa enriquece, foi publicado em 1937 e se tornou um guia de autoajuda para pessoas comuns que buscam grande riqueza.

Hill tentou convencer seus leitores – muitos deles emocional e financeiramente arrasados pela Grande Depressão – que, com a atitude correta, também poderiam juntar uma fortuna.

“É preciso entender que todas as pessoas que acumularam grandes fortunas sonharam, torceram, desejaram e planejaram um bocado antes de ganhar dinheiro”, afirma Hill.

Oitenta anos depois, as ideias igualitárias de Napoleon Hill parecem soar falsas em muitos aspectos. Há um abismo perturbador entre as fortunas econômicas dos ricos e os pobres – uma desigualdade que ajudou a desencadear um populismo político na Europa e nos Estados Unidos. (Ironicamente, o Presidente Trump, um bilionário autodeclarado, levou esse ressentimento para a Casa Branca.)

Napoleon Hill

A ideia de que o segredo para ser muito rico vem da combinação de disciplina, perseverança e autoconfiança parece excesso de otimismo em uma era de uma ampla desilusão em relação à maneira como a economia e a sociedade realmente funcionam.

De fato, a chance de virar um bilionário permanece incrivelmente remota. Wealth-X, uma firma de pesquisa que segue a riqueza mundial, indicou que havia 2.473 bilionários em 2015, um aumento de 148 em relação ao ano anterior e cerca de 0,00003% da população mundial de 7,3 bilhões de pessoas.

Ainda assim, um otimista como Hill, que morreu em 1970, pode ter esperança em um ponto dos dados da Wealth-X: mais de metade dos bilionários do mundo se fizeram sozinhos.

E esse número está crescendo. Bilionários que ergueram suas fortunas do nada representam 57% de toda a riqueza bilionária, ou mais de US$ 4,3 trilhões, um número que cresceu 7% desde 2014. Enquanto isso, o número de bilionários que herdaram sua riqueza – 323, de acordo com a Wealth-X – caiu 29% desde 2014.

O crescente setor de tecnologia criou vários dos recentes titãs que se fizeram sozinhos – empreendedores como Travis Kalanick, co-fundador e presidente do Uber, e os co-fundadores do Airbnb, Brian Chesky, Joe Gebbia e Nathan Blecharczyk.

“Muitas pessoas têm ótimas ideias. Mas transformar uma ideia em um negócio importante é outra história,” disse Maya Imberg, diretora de pesquisa da Wealth-X. “Bilionários tendem a ser incrivelmente focados.”

Em Quem pensa enriquece, Hill mostra que qualidades como foco e perseverança estavam em cada um dos bilionários.

Ele contou a história de como Thomas Edison falhou mil vezes antes de aperfeiçoar a lâmpada elétrica e como Henry Ford incentivou seus engenheiros a desenvolver o motor V-8 apesar dos desafios tecnológicos.

“Poderiam ser apontadas milhares de pessoas que têm mais ensino do que Ford, porém elas vivem na pobreza porque não possuem o plano correto para acumular dinheiro”,  afirma Hill.

(Adaptado de Where the Billionaires Come From - The New York Times)